Por
Francisco Camargo, diretor da CLM*
O possível fim
dos IDSs (Intrusion Detection Systems),
apregoado pelo Gartner, gerou muita controvérsia.
A discussão, que ocupou especialistas
em segurança e sistemas de detecção
de todo mundo, teve início após
a declaração do instituto,
que previa a obsolescência dos IDSs
além de conclamar usuários
a abandoná-los e migrar para controles
de acesso (firewalls). Apesar dos enganos
que a interpretação do Gartner
provocou, a polêmica teve um lado
positivo. Serviu para esclarecer pontos
importantes sobre as reais necessidades
de segurança nas redes corporativas
e trouxe a público muitas vantagens
e inovações dos sistemas
de auditoria de segurança de rede,
ao que parece, ignoradas até mesmo
por aclamados institutos como o Gartner.
Lamentavelmente, verificou-se
que a previsão não considerou
o potencial de desenvolvimento, concretização
e os aprimoramentos recentes dos IDSs,
mostrando-se, no mínimo, tendenciosa
e precipitada. O fato é que, no
mundo de TI - do ERP ao antivírus
- é dever obrigatório dos
desenvolvedores modernizar, descobrir e
atualizar seus softwares. Por que então com IDS
seria diferente?
Entre os recentes avanços
dos detectores de intrusos, verificou-se o
desenvolvimento de ferramentas que reduzem
substancialmente o número de falso
positivos, isto é, quando o sistema
produz um alerta para eventos que não
são oriundos de uma real invasão,
uma das razões atribuídas
pelo Gartner para a derrocada dos
IDSs.
Outro avanço notável
está sendo obtido no Gerenciamento,
com a interface muito mais intuitiva e
funcional. A realidade é que estas
inovações anunciam o renascimento
da detecção de intrusão e
não sua morte. Mais ainda, ressaltam
a necessidade do IDS para monitorar e auditar atividades, gerando
uma trilha de auditoria, que pode se revelar
bastante útil. Analisar as fraquezas
de um sistema e adaptar políticas
de prevenção de ataques a
elas.
Existem dificuldades associadas
ao IDS sim, mas seguir as recomendações
do Gartner é assumir o risco de
tornar-se cego aos ataques internos; perder
o potencial de prevenção
do ambiente em que estão operando
e o conhecimento sobre o que acontece
dentro da sua infra-estrutura. Estas inspeções
não passam pelos controles de acesso e
portanto não são bloqueadas
pelos Firewalls.
Temos realizado vários
testes de penetração para
verificar a segurança na Camada
de Aplicação, isto é,
usando as portas 80 (http) e 433 (htpps),
que os Firewall não podem e não
devem bloquear e por onde os hackers
tem penetrado em redes corporativas e somente
um IDS bem configurado pode detectar este
tipo de intrusão.(1)
A verdade é que enquanto existirem hackers, estes
procurarão vulnerabilidades nas redes corporativas. E, o preço
a se pagar eliminando a prevenção que os IDSs proporcionam é muito
alto. Envolve muito mais que meros prejuízos financeiros,
mexe com a integridade de informações confidenciais, com
a imagem da empresa, vitais para a sobrevivência de qualquer
organização.
Os ataques contra redes continuam a se multiplicar, evidenciando
que a guerra entre a couraça e o canhão nunca estará totalmente
ganha. Também por esta razão, incitar, inadvertidamente, as empresas
a desativar um sistema importante, estável e que permite uma "forensics"(2) detalhada e em constante aperfeiçoamento
como o IDS, é ignorar os princípios básicos de segurança.
Ora, auditar é, sem dúvida, uma função fundamental
no provimento de defesa em qualquer ambiente de segurança, o que não é possível
sem a devida trilha de auditoria. Além disso, o monitoramento constante
dos detectores de intrusão propiciam visibilidade inigualável
sobre a atividade de hackers; funcionários; terceirizados e sobre as
ameaças contra sistemas corporativos.
Para dirimir controvérsias, é preciso analisar mais
a fundo as razões das afirmações do instituto de pesquisa.
Assim, temos que concordar que os sistemas de detecção de intrusão mais
antigos geram muitos falsos-positivos e falsos-negativos, gerando
uma quantidade excessiva de alarmes e outros dados, o que requer muito
tempo de análise de administradores de rede capacitados , para
que a tecnologia seja eficaz. Estes sistemas incluem toda e qualquer possibilidade
de ameaça, mesmo que seja falsa. Porém, o Gartner não
considerou que vários IDSs trabalham com sintonia fina de defesa de
intrusão , combinando o acompanhamento e a atualização
rápida dos novos tipos de ataque (em grande parte target-based) juntamente
com regras validadas a partir do nível de exposição de
cada sistema, o que pode ser determinado por meio da varredura da
rede em tempo real.
E não há mágica, o sucesso da operação
está intimamente ligado à acuracidade dos dados expostos que,
por sua vez, dependem do uso da informação de vulnerabilidade,
obtidos com a inteligência das tecnologias de detecção
empregadas, com cada tipo de risco de segurança no nível
adequado. Daí, conclui-se que este contexto de inovações
e progressos de segurança dos sistemas de detecção de
intrusão não foi devidamente apreciado pelo
Gartner, que, consequentemente, emitiu um artigo errôneo
sobre o futuro dos IDSs.
Um avanço significativo foi a inclusão do " escaneamento " (varredura) em
tempo real, uma tecnologia inteligente que elimina automaticamente os alertas
de ataques em sistemas não vulneráveis. Este tipo de ferramenta
possui sensores que escaneiam e analisam, com minúcia, hosts, routers,
gateways, protocolos, servidores, endereços IP, portas de internet para
identificar cada dispositivo ou software. Desta forma, consegue enxergar todo
o tráfego e coletar dados nos sistemas operacionais, o que permite montar
um mapa da rede interna , que reconhece com precisão qualquer atividade
suspeita. Além disso, esquadrinha o perfil comportamental dos dispositivos
para saber como cada máquina trabalha e como interage com o outras
redes externas (internet).
O funcionamento é simples, todos estes dados são
coletados em um console de gerenciamento e comparados com os ataques detectados
para determinar o grau de exposição da rede. A base de dados
sobre vulnerabilidades do IDS é cruzada com as versões de rede
correlacionadas pelo nova tecnologia, excluindo ameaças ineficazes à rede.
Assim, o IDS não sinaliza, por exemplo, a entrada de um vírus
desenvolvido para sistemas Linux se seu sistema operacional for Microsoft.
Outro fato em que provavelmente se baseou o Gartner, é ainda
existirem IDSs que trabalham com assinaturas inflexíveis e outras tecnologias,
em que a saída para os falsos-positivos resume-se em desligar a assinatura
ou sobreviver com eles. Novamente aí, houve um flagrante desconhecimento
na afirmação, considerando que uma das vantagens de muitos IDSs
são as regras adaptáveis à realidade de cada cliente.
Como o nível de exposição da rede de uma companhia depende
de muitos fatores - a localização da informação
na rede, quem a acessa, que outras formas de defesa existem, etc., esta flexibilidade
permite ajustar e individualizar regras especificas para o ambiente
da empresa, o que por si só, diminui drasticamente o número de
falsos-positivos e falsos-negativos.
Por outro lado, o resultado do IDS pode ser melhorado com a detecção
de intrusos based-target, cujo exemplo mais notável é o do código
SNORT, com uma comunidade de cerca de 100 mil contribuintes, reportando
ataques no mundo todo.
Para finalizar, vale lembrar que outras pesquisas contrariam as
previsões apocalípticas do Gartner. Recentemente, a Infonetics
Research previu uma explosão nas vendas de IDS nos próximos três
anos, afirmando que a tendência de crescimento contínuo observada
em 2003, deve se manter em 2004. E justifica a expectativa devido ao crescimento
global da demanda oriunda de clientes de todos os tamanhos e das inovações
nas tecnologias IDS/IPS, que os tornou mais fáceis de usar,
mais acurados e disponíveis.
Por sua vez, a Computer Security Institute, pesquisa anual de
crimes por computador e segurança do FBI, afirma que houve crescimento
constante nas vendas. Em, 1998, 43% das organizações haviam adquirido
sistema de detecção de intrusos. Em 2002, esta porcentagem subiu
constantemente todos os anos e alcançou 73%.
Portanto, mesmo que se tenha 50 controladores de acesso em sua
rede, é preciso acompanhar, correlacionar e ter uma visão ampla
para agir proativamente a cada evento detectado pelo firewall, o que nos leva
a uma conclusão muito prática: Controle de acesso é importante,
mas o monitoramento também é (IDS).
*Francisco Camargo é diretor da CLM Informática.
fcamargoarrobaclm.com.br
Sobre a CLM
A CLM Software, fundada em 1990, é especializada em soluções
voltadas para a Internet, eBusiness e VRM (Visitor Relationship Management).
A empresa representa softwares de líderes deste segmento como a Internet
Manager; WebTrends; SpyDinamics, RapidStream, Stellent, NetIQ e Elron. Além
disso, presta serviços de consultoria, suporte e help desk para os produtos
por ela representados
- Usando o software WebInspect - www.clm.com.br/spidynamics
- Forensics - do Inglês, relativo à autopsia,
analise de eventos, invasões, a posteriori, identificando causas e
vulnerabilidade
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